chego a casa com a mala pesada. é tarde e já não sinto vontade de fazer nada para além de me estender no sofá, fechar os olhos e deixar-me levar pelo mundo dos sonhos. mas ainda consigo arrastar-me até à cozinha, lavar a chávena que ficou do pequeno-almoço engolido à pressa, abrir a porta do frigorífico e ficar a olhar para as prateleiras cheias de coisas que o meu estômago rejeita. e se fosse aquilo? não, talvez aquilo? mas o meu estômago vai dizendo não, não, não e não. não há forma de contornar a questão, a inexistência de fome a esta hora tardia e um frigorífico cheio de coisas apetecíveis para qualquer outro dia menos para hoje. sorte do estômago é que não consigo vê-lo. senão... talvez passasse a ser mais colaborador e menos picuinhas.
chego a casa tarde com vontade de cair em cima da cama, cobrir-me com o edredon, que à noite ainda faz muito frio, e esvaziar o pensamento de todos os dilemas. às vezes penso que não sou capaz de não pensar em nada. há sempre qualquer coisa a passear no pensamento. às vezes duas. outras três.
chego a casa tarde. na televisão não dá nada de jeito. é uma série que repete pela quinta vez, um programa de debate que rebate os mesmos problemas, uma série de comédia sem graça nenhuma. dou um suspiro, faço um esforço, apago a televisão e, arrastando-me... conduzo a minha alma problemática até ao quarto onde, finalmente, pouso a cabeça sobre os lençóis e esqueço tudo... ou quase tudo...
o meu pequeno mundo... onde tudo acaba e começa e onde as palavras podem ser ditas...
segunda-feira, 31 de março de 2008
segunda-feira, 24 de março de 2008
'os meninos de huambo'
'Os meninos à volta da fogueira / Vão aprender coisas de sonho e de verdade / Vão aprender como se ganha uma bandeira / Vão saber o que custou a liberdade'
foi isso que senti. um voltar à escola. todos em volta da fogueira a esticar as mãos. a ver as mãos dos outros também esticadas em direcção ao fogo que arde. é como o poema de luís de camões... 'amor é fogo que arde sem se ver'. mas aqui o que procuramos, todos na rodinha, com as nossas mãos estendidas para o fogo, é aquecer as mãos.
lá fora, o frio espalha-se. cobre cada metro da rua, da parede coberta de musgo, das janelas dos carros. o gelo espalha-se. a chuva cai, depois o granizo, finalmente a neve. nós continuamos com as mãos estendidas, os pés estendidos, bem apertadinhos na nossa rodinha, a tentar não deixar entrar o frio que lá fora espreita. tenho vontade de cantar os 'meninos à volta da fogueira', mas só consigo rir. mas rir de quê? do quê? só se for da vida. do tempo. rir por rir, acho. ou rir porque não há razão para chorar. ou rir simplesmente.
estendo as mãos. vou virando-as como se fossem frangos no espeto. continuam frias. diz o ditado 'mãos frias, coração quente'. será??
foi isso que senti. um voltar à escola. todos em volta da fogueira a esticar as mãos. a ver as mãos dos outros também esticadas em direcção ao fogo que arde. é como o poema de luís de camões... 'amor é fogo que arde sem se ver'. mas aqui o que procuramos, todos na rodinha, com as nossas mãos estendidas para o fogo, é aquecer as mãos.
lá fora, o frio espalha-se. cobre cada metro da rua, da parede coberta de musgo, das janelas dos carros. o gelo espalha-se. a chuva cai, depois o granizo, finalmente a neve. nós continuamos com as mãos estendidas, os pés estendidos, bem apertadinhos na nossa rodinha, a tentar não deixar entrar o frio que lá fora espreita. tenho vontade de cantar os 'meninos à volta da fogueira', mas só consigo rir. mas rir de quê? do quê? só se for da vida. do tempo. rir por rir, acho. ou rir porque não há razão para chorar. ou rir simplesmente.
estendo as mãos. vou virando-as como se fossem frangos no espeto. continuam frias. diz o ditado 'mãos frias, coração quente'. será??
domingo, 2 de março de 2008
'canção simples'
saio à rua. o sol brilha. é estranho, ver o sol brilhar assim com tanta vontade num dia de março... até parece que de repente o s. pedro se barulhou todo e se esqueceu que ainda não veio a primavera e que o inverno ainda impera... talvez o s. pedro esteja apaixonado! e para presentear a sua amada vai numa de deixar a descoberto o sol e mandar calar a chuva e as lágrimas de um céu triste...
saio à rua. livro dentro da carteira. óculos de sol na cara. vou caminhando. conto os passos. um, dois, três, quatro. depois esqueço-me. olho em volta. as pessoas atarefadas nas suas pequenas vidas. andamos todos à procura do mesmo? ou andamos todos à procura de uma maneira de vivermos sorridentes sem cairmos no abismo que fica ali mesmo ao nosso lado? olho em volta. a verdade é que andamos todos a correr. de um lado para o outro. porque nos esperam no emprego. porque nos esperam em casa. porque nos esperam no restaurante. porque nos esperam no cinema, no teatro, no que seja! andamos sempre a dar corda aos pés. hoje, eu deixei a corda em casa e decidi, simplesmente, andar.
saio à rua. para ver as pessoas. para não ver ninguém e ver toda a gente. para ter a certeza de que os pés ainda sabem andar e não desconhecem já essa arte... afinal, ainda consigo. não fui ainda vencida pelo stress do dia a dia. ainda consigo andar... e é aí que chego ao meu destino. é aqui que fico. abro o meu livro e digo adeus ao mundo. o sol a bater-me na cara. não parece coisa de março... mas, encolho os ombros, viro a cara que nem um girassol, fecho os olhos, respiro, e volto a entrar no meu livro.
saio à rua. livro dentro da carteira. óculos de sol na cara. vou caminhando. conto os passos. um, dois, três, quatro. depois esqueço-me. olho em volta. as pessoas atarefadas nas suas pequenas vidas. andamos todos à procura do mesmo? ou andamos todos à procura de uma maneira de vivermos sorridentes sem cairmos no abismo que fica ali mesmo ao nosso lado? olho em volta. a verdade é que andamos todos a correr. de um lado para o outro. porque nos esperam no emprego. porque nos esperam em casa. porque nos esperam no restaurante. porque nos esperam no cinema, no teatro, no que seja! andamos sempre a dar corda aos pés. hoje, eu deixei a corda em casa e decidi, simplesmente, andar.
saio à rua. para ver as pessoas. para não ver ninguém e ver toda a gente. para ter a certeza de que os pés ainda sabem andar e não desconhecem já essa arte... afinal, ainda consigo. não fui ainda vencida pelo stress do dia a dia. ainda consigo andar... e é aí que chego ao meu destino. é aqui que fico. abro o meu livro e digo adeus ao mundo. o sol a bater-me na cara. não parece coisa de março... mas, encolho os ombros, viro a cara que nem um girassol, fecho os olhos, respiro, e volto a entrar no meu livro.
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008
'bring your love'
é só a tristeza
a inundar-me
a incerteza
a irritar-me
a encher-me
e a levar-me
é só a tristeza
a cair...
em cada lágrima,
em cada batida
do coração.
é só a tristeza
e a incerteza
a incógnita,
a interrogação.
é só este
pé à frente,
pé atrás.
é só a tristeza...
a encher-me,
a preencher-me
e a ir para além de mim.
é a tristeza
em cada uma destas lágrimas
é a incerteza
em cada uma das palavras
que ecoam aqui dentro
não sei se é sim
não sei se é não
não sei se é talvez.
não sei nada.
isso eu sei.
mas isto...
não saber isto,
não saber
o que vai dentro de ti,
do teu coração,
da tua alma,
entristece-me.
como se a minha vida
perdesse a luz,
o ritmo,
a batida.
não saber...
só isso...
não saber
se é sim,
se é não,
se é talvez.
só isso...
e eu, aconchegada
no meu canto,
no meu mundo,
na minha vida,
aconchegada em mim mesma,
vou tentando
não pensar nisto,
nestes sentimentos,
nesta vida...
vou tentando não pensar em ti,
em tudo sobre ti.
e, o meu olhar....
embaciou...
a tristeza tomou conta de mim.
e eu...
no meio disto tudo...
fiquei aqui.
a inundar-me
a incerteza
a irritar-me
a encher-me
e a levar-me
é só a tristeza
a cair...
em cada lágrima,
em cada batida
do coração.
é só a tristeza
e a incerteza
a incógnita,
a interrogação.
é só este
pé à frente,
pé atrás.
é só a tristeza...
a encher-me,
a preencher-me
e a ir para além de mim.
é a tristeza
em cada uma destas lágrimas
é a incerteza
em cada uma das palavras
que ecoam aqui dentro
não sei se é sim
não sei se é não
não sei se é talvez.
não sei nada.
isso eu sei.
mas isto...
não saber isto,
não saber
o que vai dentro de ti,
do teu coração,
da tua alma,
entristece-me.
como se a minha vida
perdesse a luz,
o ritmo,
a batida.
não saber...
só isso...
não saber
se é sim,
se é não,
se é talvez.
só isso...
e eu, aconchegada
no meu canto,
no meu mundo,
na minha vida,
aconchegada em mim mesma,
vou tentando
não pensar nisto,
nestes sentimentos,
nesta vida...
vou tentando não pensar em ti,
em tudo sobre ti.
e, o meu olhar....
embaciou...
a tristeza tomou conta de mim.
e eu...
no meio disto tudo...
fiquei aqui.
sábado, 16 de fevereiro de 2008
'love boat captain'
estou em casa, casa. a televisão mostra o telmo correia a tentar explicar uns desaires com o casino de lisboa e a borla que deram ao mesmo... as complicações normais da nossa democracia! acho que nada seria o mesmo se não existissem explicações para dar, manifestações para organizar e impropérios para serem proferidos. afinal, o que seria de portugal sem tudo isto? andamos é todos a rirmo-nos da desgraça alheia... é pena é que nem sempre a desgraça alheia é pior que a de nós próprios.
faço um sorriso. lembro-me dos sorrisos da joaninha. tão tímidos, tão cheios de vida, tão desinteressados. cá dentro o eddie vedder vai cantando 'love boat captain'. a dizer 'Is this just another day,... this God forgotten place?/First comes love, then comes pain. let the games begin,.../Questions rise and answers fall,... insurmountable./Love boat captain/Take the reigns and steer us towards the clear,... here./Its already been sung, but it cant be said enough./All you need is love'. faço mais um sorriso. não consigo esquecer o da pequenina joana, tão simples... e porque é que, quanto mais crescemos, as coisas se vão tornando mais difíceis? porque é que não pode ser tudo simples como aquele sorriso? porque é que não pode tudo ser assim tão simples? mas nada é simples...
olho a revista actual pousada ao meu lado... sorrio. volto a pôr 'love boat captain' a tocar... e acabo assim... a pensar em ti... tão perto e tão longe... e sorrio... olho novamente a revista... 'Talvez o céu seja um mar grande de água doce e talvez a gente não ande debaixo do céu mas em cima dele; talvez a gente veja as coisas ao contrário e a Terra seja como um céu e quando a gente morre, quando a gente morre, talvez a gente caia e se afunde no céu' [José Luís Peixoto, in 'Nenhum Olhar']
sorrio. este texto ficou a maior confusão possível... é como está a minha alma. é como eu estou. e sorrio. hoje não quero saber.
faço um sorriso. lembro-me dos sorrisos da joaninha. tão tímidos, tão cheios de vida, tão desinteressados. cá dentro o eddie vedder vai cantando 'love boat captain'. a dizer 'Is this just another day,... this God forgotten place?/First comes love, then comes pain. let the games begin,.../Questions rise and answers fall,... insurmountable./Love boat captain/Take the reigns and steer us towards the clear,... here./Its already been sung, but it cant be said enough./All you need is love'. faço mais um sorriso. não consigo esquecer o da pequenina joana, tão simples... e porque é que, quanto mais crescemos, as coisas se vão tornando mais difíceis? porque é que não pode ser tudo simples como aquele sorriso? porque é que não pode tudo ser assim tão simples? mas nada é simples...
olho a revista actual pousada ao meu lado... sorrio. volto a pôr 'love boat captain' a tocar... e acabo assim... a pensar em ti... tão perto e tão longe... e sorrio... olho novamente a revista... 'Talvez o céu seja um mar grande de água doce e talvez a gente não ande debaixo do céu mas em cima dele; talvez a gente veja as coisas ao contrário e a Terra seja como um céu e quando a gente morre, quando a gente morre, talvez a gente caia e se afunde no céu' [José Luís Peixoto, in 'Nenhum Olhar']
sorrio. este texto ficou a maior confusão possível... é como está a minha alma. é como eu estou. e sorrio. hoje não quero saber.
domingo, 3 de fevereiro de 2008
'chasing pavements'
faço um gesto desmesurado. perco o fôlego. sei que perdi o fôlego numa qualquer destas vidas que ando a viver. sim. ando a viver vidas a mais. e a achar que cada uma vai salvar todas as outras... como se isso fosse possível!! a verdade é que estou simplesmente à espera. e à espera do quê?
dou uma gargalhada. estou à espera que a minha vida mude, que eu passe a viver apenas uma e que ela seja demasiado sorridente para eu ter de andar à procura de outras vidas para viver. estou à espera de me encher de coragem, de fôlego, de entusiasmo, de qualquer coisa que eu não sei o que é para dizer adeus a uma infinidade de coisas e atirar-me de cabeça para procurar outras. estou à espera que passem os arrepios, as lágrimas que não caem, as dúvidas que me assolam. estou à espera das certezas, das tuas palavras e das minhas. estou à espera de muita coisa... mas sei que, para lá destas vidas que estou a viver, todas misturadas, todas ao mesmo tempo, todas sem sentido e sem destino, há-de existir uma só, para eu viver...
dou uma gargalhada. estou à espera que a minha vida mude, que eu passe a viver apenas uma e que ela seja demasiado sorridente para eu ter de andar à procura de outras vidas para viver. estou à espera de me encher de coragem, de fôlego, de entusiasmo, de qualquer coisa que eu não sei o que é para dizer adeus a uma infinidade de coisas e atirar-me de cabeça para procurar outras. estou à espera que passem os arrepios, as lágrimas que não caem, as dúvidas que me assolam. estou à espera das certezas, das tuas palavras e das minhas. estou à espera de muita coisa... mas sei que, para lá destas vidas que estou a viver, todas misturadas, todas ao mesmo tempo, todas sem sentido e sem destino, há-de existir uma só, para eu viver...
segunda-feira, 28 de janeiro de 2008
'praying for time'
diz-me
diz-me coisas
diz-me tudo...
olha-me
olha-me nos olhos
olha-me
diz-me
diz-me o que quiseres, o que não quiseres
o que te apetecer, o que não te apetecer
olha-me
e diz-me
o que te vai na alma, no coração
diz-me a primeira coisa
a primeira palavra
olha-me
e diz-me...
dizes que sim?
diz-me coisas
diz-me tudo...
olha-me
olha-me nos olhos
olha-me
diz-me
diz-me o que quiseres, o que não quiseres
o que te apetecer, o que não te apetecer
olha-me
e diz-me
o que te vai na alma, no coração
diz-me a primeira coisa
a primeira palavra
olha-me
e diz-me...
dizes que sim?
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