quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

'bring your love'

é só a tristeza
a inundar-me
a incerteza
a irritar-me
a encher-me
e a levar-me
é só a tristeza
a cair...
em cada lágrima,
em cada batida
do coração.
é só a tristeza
e a incerteza
a incógnita,
a interrogação.
é só este
pé à frente,
pé atrás.
é só a tristeza...
a encher-me,
a preencher-me
e a ir para além de mim.
é a tristeza
em cada uma destas lágrimas
é a incerteza
em cada uma das palavras
que ecoam aqui dentro
não sei se é sim
não sei se é não
não sei se é talvez.
não sei nada.
isso eu sei.
mas isto...
não saber isto,
não saber
o que vai dentro de ti,
do teu coração,
da tua alma,
entristece-me.
como se a minha vida
perdesse a luz,
o ritmo,
a batida.
não saber...
só isso...
não saber
se é sim,
se é não,
se é talvez.
só isso...
e eu, aconchegada
no meu canto,
no meu mundo,
na minha vida,
aconchegada em mim mesma,
vou tentando
não pensar nisto,
nestes sentimentos,
nesta vida...
vou tentando não pensar em ti,
em tudo sobre ti.
e, o meu olhar....
embaciou...
a tristeza tomou conta de mim.
e eu...
no meio disto tudo...
fiquei aqui.

sábado, 16 de fevereiro de 2008

'love boat captain'

estou em casa, casa. a televisão mostra o telmo correia a tentar explicar uns desaires com o casino de lisboa e a borla que deram ao mesmo... as complicações normais da nossa democracia! acho que nada seria o mesmo se não existissem explicações para dar, manifestações para organizar e impropérios para serem proferidos. afinal, o que seria de portugal sem tudo isto? andamos é todos a rirmo-nos da desgraça alheia... é pena é que nem sempre a desgraça alheia é pior que a de nós próprios.
faço um sorriso. lembro-me dos sorrisos da joaninha. tão tímidos, tão cheios de vida, tão desinteressados. cá dentro o eddie vedder vai cantando 'love boat captain'. a dizer
'
Is this just another day,... this God forgotten place?/First comes love, then comes pain. let the games begin,.../Questions rise and answers fall,... insurmountable./Love boat captain/Take the reigns and steer us towards the clear,... here./Its already been sung, but it cant be said enough./All you need is love'. faço mais um sorriso. não consigo esquecer o da pequenina joana, tão simples... e porque é que, quanto mais crescemos, as coisas se vão tornando mais difíceis? porque é que não pode ser tudo simples como aquele sorriso? porque é que não pode tudo ser assim tão simples? mas nada é simples...
olho a revista actual pousada ao meu lado... sorrio. volto a pôr 'love boat captain' a tocar... e acabo assim... a pensar em ti... tão perto e tão longe... e sorrio... olho novamente a revista... 'Talvez o céu seja um mar grande de água doce e talvez a gente não ande debaixo do céu mas em cima dele; talvez a gente veja as coisas ao contrário e a Terra seja como um céu e quando a gente morre, quando a gente morre, talvez a gente caia e se afunde no céu' [José Luís Peixoto, in 'Nenhum Olhar']
sorrio. este texto ficou a maior confusão possível... é como está a minha alma. é como eu estou. e sorrio. hoje não quero saber.

domingo, 3 de fevereiro de 2008

'chasing pavements'


faço um gesto desmesurado. perco o fôlego. sei que perdi o fôlego numa qualquer destas vidas que ando a viver. sim. ando a viver vidas a mais. e a achar que cada uma vai salvar todas as outras... como se isso fosse possível!! a verdade é que estou simplesmente à espera. e à espera do quê?
dou uma gargalhada. estou à espera que a minha vida mude, que eu passe a viver apenas uma e que ela seja demasiado sorridente para eu ter de andar à procura de outras vidas para viver. estou à espera de me encher de coragem, de fôlego, de entusiasmo, de qualquer coisa que eu não sei o que é para dizer adeus a uma infinidade de coisas e atirar-me de cabeça para procurar outras. estou à espera que passem os arrepios, as lágrimas que não caem, as dúvidas que me assolam. estou à espera das certezas, das tuas palavras e das minhas. estou à espera de muita coisa... mas sei que, para lá destas vidas que estou a viver, todas misturadas, todas ao mesmo tempo, todas sem sentido e sem destino, há-de existir uma só, para eu viver...

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

'praying for time'

diz-me
diz-me coisas
diz-me tudo...
olha-me
olha-me nos olhos
olha-me
diz-me
diz-me o que quiseres, o que não quiseres
o que te apetecer, o que não te apetecer
olha-me
e diz-me
o que te vai na alma, no coração
diz-me a primeira coisa
a primeira palavra
olha-me
e diz-me...
dizes que sim?

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

'shadow of the day'

o meu mundo está à chuva. é uma tempestade que se aproxima e que eu não sei controlar. é o barco que anda meio à deriva no mar conturbado que é a vida, que é a minha vida. à chuva juntam-se as minhas lágrimas, daquelas que não consigo controlar e que se misturam. uma mistura doce e salgada. não penso em sorrir, nem em dar uma gargalhada. não penso em nada porque de repente só quero mesmo é ser invadida por esse nada.
o meu mundo está à chuva, à porta, à espera de um sinal para poder entrar, para poder avançar, para poder dizer alguma coisa. e eu, no meio do meu mundo, estou a apanhar com todas as gotas grossas, daquelas que me encharcam. e, no meio da chuva, ainda tento dançar...
o meu mundo está à chuva, à espera de entrar no teu coração. e, por entre os meus olhares brilhantes e os meus beijos, só espero uma palavra tua... que páre a chuva... doce e salgada em que, de repente, me envolvi...

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

'somewhere over the rainbow'

é sexta-feira e não tenho quaisquer planos para além de ficar aqui a olhar para este ecran. podia pensar na vida, na minha vida. pôr as coisas cá dentro em ordem. mas será que isso é possível? posso dar uma gargalhada, pergunto-me. é que esta pergunta só pode ter esta resposta: uma valente gargalhada! acho que é esse o meu problema actual... esta incerteza. de como vai ser o dia de amanhã, ou o depois de amanhã. e como é que vai ser o dia de amanhã? e o depois de amanhã? e a resposta? nova gargalhada, na certa. sei que a minha vida está caótica e eu não consigo alcançar nenhuma solução para a salvar da anarquia e da selvajaria dos meus próprios sentimentos. daí que dê gargalhadas, atrás de gargalhadas. gargalhadas atrás de gargalhadas. que mais?
é sexta-feira e o meu programa é ficar aqui sozinho, a fazer o que quer que seja. é ficar sozinha... a ouvir uma série de músicas deprimentes, a querer pensar em todas as coisas, mas a voltar sempre ao mesmo assunto, às mesmas incertezas, a tentar descobrir alguma coisa no meio da confusão que isto se tornou. e o que é isto? isto é mesmo o quê? ainda não consultei um dicionário, mas sei que não vou conseguir encontrar a definição,,, mesmo que imperfeita, com falhas. não há definição. simplesmente. às vezes parece que... e outras está tão longe...
é sexta-feira e o programa de festas é escrever estas letrinhas sem parar. é tentar passar para o ecran as lágrimas que me queimam os olhos mas que, por todos os motivos ou por nenhum deles, não querem sair. e eu queria que elas saíssem. para respirar de alívio. para me conseguir libertar destas incertezas, destes medos, do que quer que se acumula em mim sem razão.
é sexta-feira na minha vida anárquica. e eu... estou só com as minhas gargalhadas...

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

'nada'

acho que tudo mudou ali. pergunto-te: tudo mudou ali, não foi? mas tu também não sabes, como eu. limitas-te a encolher os ombros, a fazer o teu olhar mais baralhado e a ficar em silêncio. detesto que fiques em silêncio. de repente ando à procura de palavras para te dizer. não quero falar sobre o tempo, nem sobre as nuvens que começam a amontoar-se lá no céu, nem sobre o trabalho ou sobre as gaivotas que de repente fazem círculos continuados no ar. quero falar sobre nós mas não sei como dizer as coisas, se é que tenho de dizer alguma coisa. ficas em silêncio. não dizes nada. às vezes acho que fazes de propósito, só para ver se eu consigo resistir. só para veres se eu consigo ficar calada. e eu consigo ficar calada. mas não por muito tempo...
pergunto-te se tudo mudou ali. mas tu só sabes sorrir e dizer-me que não importa. e não importa mesmo. nada importa. nada mesmo. mesmo que a música que está a tocar não seja a minha preferida. mesmo que não esteja vestida com a minha camisa de eleição. nada importa. apenas este momento. só este, em que os nossos olhares se cruzaram...

[em fundo, jorge cruz, do novo álbum 'poeira']